constelação
CÃO MAIOR

disponível de
19/05 | 10h

disponível até
25/05 | 21h

 

A primeira sessão não podia deixar de abrigar uma estrela maior que o Sol. Iniciamos a  Mostra com os raios desconfortantes de ficções que não se afastam tanto de nosso presente. Com os lotes de lixo de Submarine, saímos “à procura de terras estrangeiras, e o mundo sente falta de um outro mundo onde se refugie; acometida por suas próprias doenças, a natureza adoece, cercada por excessivos calores, e assim vive sobre sua própria pira: tão grande é o calor que pelas estrelas se espalha, contando-se tudo como que sob uma única luz.”¹

A Cão Maior era o prenúncio de 40 dias de seca e calor extremos. É a boca da nossa terrorista narrativa, que “provoca guerras e traz de volta a paz; retornando de modo diferente, age sobre o mundo conforme o vê e o governa com o seu olhar”². É a guerra que pretende resguardar o futuro de uma terra, proteger um discurso, colocar a estabilidade sionista em chamas, defender com imagens, sons e voz certas existências em apagamento.

Filmes que são impetuosos em suas representações de resultados da ação humana, que escancaram as numerosas vezes que nós tentamos abocanhar a Lua. Resultados estes que se presumem ser maiores que o Sol, causando devastação onde quer que estejam, em qualquer tempo que aconteçam.

Os filmes desta sessão “não temem florestas, rochedos, enormes leões, ou as presas dum espumante javali, e as armas dos animais selvagens, e gastam as suas chamas contra o corpo que lhes estiver no caminho”³. Eles se despontam no horizonte e são impossíveis de passar despercebidos e para nós, é impossível de não sermos afetadas/es/os por eles.

Esta sessão inclui um foco na cineasta Larissa Sansour. Seus filmes trazem robustas reflexões sobre memória, tempo, exílio, arqueologia e construção de narrativas. Mas dizer que podemos absorver apenas isso de seus filmes é reduzi-los a algo menor que eles são. faz parte de um desejo de se debruçar mais atentamente à sua obra, trazendo reflexões que serão desdobradas tanto no ensaio sobre esses filmes -  que está publicado neste catálogo e é assinado por Kênia Freitas e Carol Almeida -  quanto na masterclass com a própria realizadora.

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¹ ² ³ Manílio. Astronômicas, Manílio -  Tradução, introdução e Notas, Marcelo Vieira Fernandes, USP, São Paulo, 2006, p. 60; p. 226)

 

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UM FILME SOBRE UM CÍRCULO

A FILM ABOUT A CIRCLE

(Egito, 2017, 4’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa LIVRE

SINOPSE

O filme trata do cotidiano, da repetição, do tédio. Conectando o dia-a-dia a uma forma circular, com finais e inícios vagos. Entre internas e externas, o curta registra e documenta rituais do cotidiano, em ambientes domésticos e familiares, em super 8mm, um formato utilizado para gravar filmes caseiros, no qual o processo de filmagem e processamento envolve repetições de movimentos circulares.

 

A obra foi inicialmente concebida para ser reproduzida por meio de uma projeção dupla em tempo real dos filmes em 8mm, em que um quadro é mais dominante que o outro. As duas imagens interagem entre si de maneira distinta a cada vez que são projetadas em tempo real.

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ANTES QUE EU ME ESQUEÇA

BEFORE I FORGET

(Egito, 2018, 31’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa LIVRE

SINOPSE

Uma história de ficção científica ambientada em uma região costeira irreconhecível, entre terra e mar, acima e abaixo da água. El Captain desaparece; um dos seus discípulos viaja ao oceano para cortar o cabo da internet, o nível da água está subindo, uma mulher anfíbia aparece na margem procurando por sua mãe, e as memórias de duas mulheres em um ala se conectam. O cientista Dr. Sharaf está tentando unir todos eles – os membros de uma sociedade secreta de anfíbios – em uma tentativa de salvar o mundo.

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TANTO ACIMA, QUANTO ABAIXO

KAMA FISSAMAA’, KATHALIKA ALA AL-ARD

(Líbano, 2020, 70’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Em uma paisagem deserta, um grupo de pessoas perambula em torno de um conjunto de balanços como seu único assento; como se estivessem mapeando, explorando, reorganizando o território aberto em que se encontram. Conforme se movem, mudanças na paisagem sonora fazem com que atravessem geografias virtualmente. No céu, um satélite parecido com a Lua paira sobre suas cabeças, acompanhando-os como um presságio. A Lua, outrora símbolo de tempos cíclicos, mitos e recomeços, agora é o satélite à espera de ser conquistado e colonizado. Realidade e fantasia se entrelaçam em uma busca existencial. Um recomeço é realmente possível? Tanto acima, quanto abaixo.

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SUBMARINO

SUBMARINE

(Líbano, 2016, 21’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Sob a ameaça iminente da crise do lixo no Líbano, Hala, uma criança feroz dentro de uma mulher, é a única a recusar a evacuação, agarrando-se ao que sobrar do lar.


FOCO: LARISSA SANSOUR
Terrorismo Narrativo para Bagunçar a Matemática da Mitomáquina
 

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UM ÊXODO ESPACIAL

A SPACE EXODUS

(Palestina, Dinamarca, 2008, 5’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Um êxodo espacial cria uma adaptação, de maneira excêntrica, do filme 2001: uma odisseia no espaço de Stanley Kubrick em um contexto político do Oriente Médio. A partitura musical familiar do filme de ficção científica de 1968 é substituída por acordes arabescos combinando com os visuais surreais da obra de Sansour. O curta-metragem acompanha a própria diretora em uma jornada fantasmagórica pelo universo, reproduzindo os interesses de Stanley Kubrick em temas como a evolução, tecnologia e progresso humano. Entretanto, em sua obra, Sansour propõe a ideia da primeira ida de uma palestina ao espaço, fazendo referência ao pouso de Neil Armstrong na Lua. Ela interpreta esse gesto teórico como um “pequeno passo para uma Palestina, grande salto para a humanidade”.

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IN VITRO

AL MUKHTABAR

(Palestina, Dinamarca, Reino Unido, 2019, 28’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

In vitro se passa na sequência de um desastre ecológico. Um reator nuclear abandonado debaixo da cidade bíblica de Belém se transformou em um grande jardim. Usando as sementes crioulas coletadas nos dias finais antes do apocalipse, um grupo de cientistas está se preparando para replantar a terra acima.

 

Na ala do hospital do composto subterrâneo, Dunia, a fundadora do jardim, uma enferma de 70 anos, está deitada em seu leito de morte, quando Alia, 30 anos, vai visitá-la. Alia nasceu no subsolo como parte de um amplo programa de clonagem e nunca viu a cidade que está destinada a reconstruir.

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NO FUTURO, ELES COMIAM DA MELHOR PORCELANA

IN THE FUTURE THEY ATE FROM THE FINEST PORCELAIN

(Palestina, Reino Unido, Dinamarca, Qatar, 2015, 29’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Um autointitulado grupo de resistência narrativa realiza depósitos subterrâneos de porcelanas sofisticadas – insinuando que elas pertencem a uma civilização inteiramente fictícia. Seu objetivo é influenciar a história e apoiar futuras reivindicações pelas suas terras em desaparecimento.

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PATRIMÔNIO NACIONAL

NATION ESTATE

(Palestina, Dinamarca, 2012, 9’)

dirigido por

*disponível em todos os territórios

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Patrimônio Nacional é um curta de ficção científica de 9 minutos que oferece uma abordagem distópica clínica, embora bem-humorada, ao impasse no Oriente Médio. O filme explora uma solução vertical para a condição do Estado Palestino. Um arranha-céu colossal abrigando toda a população palestina – agora finalmente vivendo a boa vida.