constelação
LUA VERMELHA

disponível de
24/06 | 10h

disponível até
27/06 | 21h

 

“... quando a Lua está cheia, no meio de sua órbita, luzes distintas, então, de primeira categoria, brilham no céu: toda a multidão de estrelas se esconde; turba sem nome, elas fogem.”¹

Com os cantos do astrólogo Manílio, todos os filmes se escondem para a nossa última sessão brilhar no céu.

Mas esta sessão tem a coloração vermelha. Isso ocorre com a Lua Cheia por alguns motivos. Seja pela quantidade de tóxicos no ar, seja por refletir alguns raios solares. Gosto de outra perspectiva para a nossa sessão: a Lua Vermelha aparece em alguns eclipses totais da Lua.²

Começamos esta Mostra destacando a constelação que irradia mais do que o próprio Sol. E terminamos com a Lua que, na tentativa de ser apagada, adquiriu ainda maior visibilidade.

Estes filmes, compostos por um tributo à cineasta libanesa Jocelyne Saab, se destacam em sua secura sem perder a poética. É impossível não serem notados. As imagens cruas impactam por terem sido eclipsadas da nossa vida. Não se escondem os escombros que assolam a cidade – convive-se com eles. Na tentativa dos governos libaneses de esquecer a guerra civil, os trabalhos da Jocelyne Saab passam um marca-texto vermelho na mancha do trauma que fingem ter ficado para trás. As rachaduras vão para a tela. Dança-se sobre elas. Chora-se sobre elas.

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¹ Cf. Manílio. In: FERNANDES, Marcelo Vieira.  Astronômicas, Manílio

Tradução, introdução e Notas. 2006. 289 f.

Dissertação (Mestrado em Letras Clássicas)

Faculdade  de  Filosofia,  Letras  e Ciências  Humanas  da  Universidade de  São  Paulo. USP,

São Paulo, 2006. p. 62.

² Para saber mais: <https://cref.if.ufrgs.br/?contact-pergunta=por-que-a-lua-fica-laranja-as-vezes>.

Acesso em 28/04/2021.

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ERA UMA VEZ EM BEIRUTE

IL ÉTAIT UNE FOIS BEYROUTH, HISTOIRE D’UNE STAR

(França, Líbano, 1994, 100’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa LIVRE

SINOPSE

Celebrando 20 anos de vida, Yasmine e Leila decidem visitar M. Faroul, renomado cinéfilo e colecionador, para descobrir um Líbano que elas nunca tinham conhecido. Em busca de um passado, o cinema as conduz por um caminho de memórias, e as duas heroínas mergulham no universo cinematográfico que, durante 40 anos, tem contribuído para criar a imagem internacional de Beirute como uma estrela brilhante.  No contexto da guerra que destruiu a cidade, a projeção dos filmes (escolhidos entre mais de 250) montada pelas duas garotas  devolve à cidade um gosto de sua própria história, e um pouco de esperança para o futuro.

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O BARCO DO EXÍLIO

LE BATEAU DE L’EXIL

(Líbano, 1982, 12’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Depois de deixar Beirute clandestinamente para escapar das forças israelitas, o líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Yasser Arafat, deixou o Líbano a bordo do Atlantis para um novo exílio na Grécia, depois em Tunes. Ele fala sobre seu destino e o futuro da OLP.

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FILHOS DA GUERRA

LES ENFANTS DE LA GUERRE

(França, 1976, 10’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 16 ANOS

SINOPSE

Dias após o massacre de Karantina em uma favela predominantemente muçulmana em Beirute, Jocelyne Saab encontra e conhece crianças que escaparam e que ficaram profundamente traumatizadas pelo combate horrível que vivenciaram com os próprios olhos. Jocelyne deu gizes de cera às crianças e encorajou-as a desenhar enquanto sua câmera se movia. Ela fez uma descoberta amarga: as crianças só se interessam por jogos de guerra, e a guerra logo se tornaria também um modo de vida para elas.

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AS MULHERES PALESTINAS

LES FEMMES PALESTINIENNES

(França, 1974, 15’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 10 ANOS

SINOPSE

Mulheres palestinas, as vítimas por vezes esquecidas da guerra entre Israel e Palestina, aqui ganham uma voz dada por  Jocelyne Saab.

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UMA VIDA SUSPENSA

UNE VIE SUSPENDUE (ADOLESCENTE, SUCRE D’AMOUR)

(França, Líbano, 1985, 90’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 12 ANOS

SINOPSE

Samar é uma menina nascida na guerra. Sendo forçada a viver como nômade, ela cresceu entre combatentes, aprendendo a viver em um país em guerra. Os desafios diários que ela enfrenta contrastam com seu amor por comédias românticas egípcias, até que, um dia, a chance de encontrar com Karim aproxima essas duas partes da vida dela. Uma história de amor no coração de uma guerra.

TRILOGIA BEIRUTE

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BEIRUTE, NUNCA MAIS

BEYROUTH, JAMAIS PLUS

(Líbano, 1976, 35’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 16 ANOS

SINOPSE

1976 marca o início do calvário de Beirute. A partir do olhar de uma criança, a cineasta acompanha a destruição diária das muralhas da cidade por seis meses. A cada manhã, entre 6 e 10 horas, ela perambula por Beirute enquanto a milícia de ambos os lados descansa da noite de combate.

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BEIRUTE, MINHA CIDADE

BEYROUTH, MA VILLE

(Líbano, 1982, 37’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 16 ANOS

SINOPSE

Em julho de 1982, o exército israelita sitiou Beirute. Quatro anos antes, Jocelyne Saab via a  casa de sua infância de 150 anos ser incendiada. Ela se perguntava: quando tudo isso começou? Todo lugar se torna um sítio histórico e todo nome se torna uma memória.

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CARTA DE BEIRUTE

LETTRE DE BEYROUTH

(Líbano, 1978, 52’)

dirigido por

*disponível apenas em território brasileiro

classificação indicativa 16 ANOS

SINOPSE

Três anos após o início da guerra civil, a cineasta retorna à sua cidade por vários meses. Vivendo entre um país destruído pela guerra e um país em paz, ela tenta se readaptar ao cotidiano de Beirute. Não existe mais transporte público na cidade, mas a diretora consegue um ônibus velho funcionando, provocando um retorno desconcertante à normalidade nesta cidade em guerra: pessoas sobem no ônibus, visto por elas como lugar seguro.