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JOCELYNE SAAB


Jocelyne Saab foi cineasta e fotógrafa. Ela nasceu em 1948 e cresceu em Beirute. Em 1973, tornou-se repórter no Oriente Médio ao cobrir a Guerra do Yom Kippur para o Magazine 52, o terceiro canal televisivo da França. Em 1975, ela dirige seu primeiro longa-metragem, um documentário lançado nos cinemas parisienses: Lebanon in Turmoil, distribuído por Pascale Dauman. Saab, a partir de então, vai cobrir a Guerra Civil Libanesa por quinze anos, período no qual dirigiu quase trinta filmes, incluindo Beirute, nunca mais, transmitido no France 2 em 1976, Carta de Beirute e Beirute minha cidade, transmitidos no France 3 entre 1978 e 1982. Tanto Egypt, City of the Dead quanto The Sahara is not up for sale são filmados em 1977 e estreiam nos cinemas parisienses. Em 1981, Saab filma Iran, Utopia in the Making nos dias seguintes à Revolução Iraniana, o qual recebe diversos prêmios internacionais. Em 1998, a cineasta vai ao Vietnã e dirige um documentário intitulado The Lady of Saigon, que recebe o prêmio de melhor documentário francês pelo senado da França. O filme foi transmitido no France 2 e em diversos festivais.


Em menos de trinta anos, Jocelyne Saab dirigiu mais de trinta documentários que foram premiados na Europa e em festivais internacionais. Entretanto, sua filmografia não é restrita ao documentário: em 1981, Saab teve a oportunidade de se voltar para a ficção, como assistente de direção de Volker Schlöndorff. Circle of Deceit é o título do seu filme, gravado em Beirute durante a guerra. Em 1985, pela primeira vez, ela dirige o seu próprio longa-metragem, Uma vida suspensa, selecionado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, e lançado em três cinemas parisienses. Em 1993, Saab dedica um documentário ficcional ao centenário do cinema: Era uma vez em Beirute, o qual é essencialmente composto por imagens de arquivo e cenas de filmes antigos gravados em Beirute, foi transmitido no ARTE. Em 2005, seu filme Dunia, produzido por Catherine Dussart e gravado no Egito, aborda a temática do prazer. Seguindo o escândalo provocado pela sua obra, Jocelyne Saab é condenada à morte pelos egípcios fundamentalistas. Ainda assim, o filme é elogiado em diversos festivais internacionais e, notavelmente, foi selecionado para a mostra competitiva do Festival Sundance de Cinema, nos Estados Unidos. Cinco anos depois, Dunia se torna um filme cultuado no mundo árabe. Em 2007, Saab se volta para a arte contemporânea e organiza sua primeira videoinstalação em vinte e duas telas no Museu Nacional de Singapura. Uma retrospectiva dedicada a sua obra integral sobre a guerra, é intitulada Strange Games and Bridges.


Ela, então, exibe suas primeiras fotografias na feira de Abu Dhabi em 2007 e, em seguida, na feira Art Paris, em galerias de Abu Dhabi e em Beirute, em 2008.


Em 2009, Saab termina um novo longa-metragem, “What’s going on?”, filmado na sua cidade natal. A diretora questiona um potencial renascimento de Beirute e, de maneira geral, o seu processo de criação em toda a sua profundidade. Em 2013, ela dá aulas no IESAV, o Instituto de Estudos Cênicos e Audiovisuais de Beirute, onde dirige um longa-metragem com os estudantes sobre a carismática figura de Henri Barakat. No mesmo ano, dirige seis filmes com temática de sexo e gênero em seis cidades do Oriente Médio, reunidos sob o título Café du Genre na ocasião da exposição Au Bazar du Genre no MuCEM, Marselha.


Ao longo de sua vida, Jocelyne Saab organiza uma série de eventos importantes. Em 1992, ela se dedica à reconstrução da Cinemateca do Líbano. Para tanto, encara um incrível trabalho arquivístico e registra mais de 250 filmes que mencionaram Beirute e o Líbano antes, durante e após a guerra. Saab recebe a Ordem das Artes e das Letras por esse trabalho monumental, o qual foi realizado enquanto editava seu filme na época, Era uma vez em Beirute, agora a marca dessa empreitada. A partir dos arquivos, ela também organiza, em 1993, o ciclo de projeções Beirut, one thousand and one images, no Instituto do Mundo Árabe, um evento que apresenta todos os filmes selecionados para a reconstrução da Cinemateca do Líbano.


Em 2013, Saab se torna fundadora, diretora artística e representante global do Cultural Resistance International Film Festival. Nesse contexto, ela sugere filmes asiáticos e mediterrâneos que, através de sua história, questionam a situação atual de Beirute. Um cinema que cura as feridas do país e nos faz pensar sobre a possibilidade de paz e respeito intercomunitário. Esse festival é difundido por todo o território libanês.


Quase no fim de sua vida, Jocelyne Saab concebe uma última série de fotografias, One Dollar a Day e dirige diversas videoartes: One Dollar a Day e Imaginary Postcard em 2016, e My Name is Mei Shigenobu, que foi lançada como uma obra póstuma (2019).


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