Fatma 75

Fatma 75 é o primeiro filme de não-ficção realizado por uma mulher tunisiana, censurado até recentemente no seu país de origem. Trata-se de um ensaio feito num contexto de luta pelo direito das mulheres, que revisita o trajeto histórico do estatuto da mulher na Tunísia, de 1930 a 1975, através de Fatma, uma estudante cujo nome alude à designação escolhida pelos colonos para se referirem às mulheres árabes.

Selma Baccar foi a primeira mulher na Tunísia a fazer seus próprios filmes. Parte de um grupo inspirado pela atmosfera boêmia de Hammam-Lif, subúrbio ao sul de Túnis, ela se interessou por cinema ainda muito jovem. Após a faculdade, estudou psicologia na Suíça e teve a oportunidade de ir a Paris para estudar cinema. De The Awakening (1966) a Fatma 75 (1975), The Dance of Fire (1995) a Flower of Oblivion (2006), os detalhes históricos, a relevância contemporânea e a preocupação com as mulheres em um contexto muito mais amplo lhe renderam a reputação de “grande dama” do cinema tunisiano. 

Tradução: Jemima Alves, em parceria com a Tabla

Tunísia, 1975, 60’

Diretora: Selma Baccar